Ousadia defensiva também existe

Caros leitores,
Respeito todos que admiram o futebol ofensivo, com três atacantes, que joga bonito e... ousado. Eu também me incluo nesse grupo de pessoas. E o que vimos ontem no Camp Nou foi um duelo entre um Barcelona, que vinha praticando a arte, contra uma Inter, que praticou o anti-jogo, termo que o comentarista Paulo Vinícius Coelho usou ao fim da transmissão da partida na ESPN.
Admiro muito o PVC (e como o admiro), que defendeu a tese de que se um time opta por jogar defensivamente, deve ter um esquema preparado para o contra-ataque, algo que não aconteceu no plano de José Mourinho.
Porém, o que o técnico português fez, na minha modesta opinião, foi simplesmente perfeito. Durante boa parte do jogo, com um a menos, a Inter jogou num esquema, a meu ver, que poderia ser um 5-4-0, com o time não saindo em momento algum de sua zona defensiva, num posicionamento quase que militar. Ninguém abandonava seus respectivos postos. E a linha de trás possuía seus cinco soldados muito bem distribuídos e impecavelmente alinhados, impedindo que o Barça tivesse a chance de criar jogadas laterais.
Entretanto, o esquema nerazurri quase sucumbiu ao final da partida quando o “centro-avante” Gerard Piqué marcou um golaço, deixando o time catalão a um tento da tão sonhada final da UEFA Champions League na casa do rival Madrid. Mas o que Mourinho podia fazer? Sua squadra jogava contra a melhor equipe do futebol mundial e uma das melhores de todos os tempos. O português foi covarde em abdicar ao ataque? Para mim, não. Ele foi, sim, ousadíssimo. Nenhum outro treinador teria peito de abandonar o jogo e usar todos os seus jogadores na defesa.
Repito, estratégia essa, que quase não deu certo. Mas foi a única possível de parar o lendário Barcelona de Messi. E quando o treinador portuga coloca na cabeça que vai vencer, ninguém consegue detê-lo.
Déjà vu ou mera coincidência?
Blogueiros, provavelmente, essa partida também remeteu outras pessoas ao mesmo pensamento que eu tive.
Assim como o Barça de hoje, a Seleção Brasileira de 1982 era considerada um time mágico que alegrava a todos, e acabou perdendo a Copa do mesmo ano para a Itália. E vi mais coincidências não só no fato de a Inter ser da velha bota, mas por aquela squadra azzurra ter ficado famosa por jogar feio, embora fosse um time bastante eficiente e também de qualidade.
E quando o Ibrahimovic apareceu com a camisa rasgada? Não tive como não lembrar da imagem de Zico, também de uniforme rasgado, desesperado com a não marcação de um pênalti naquele fatídico jogo para os brasileiros.
Bem, talvez foi só uma viagem mesmo.
Abraço!
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